Clínica Tratamento Toxicodependência Alcoolismo Adição - Entrevista Revista Dependências
Sob a recente direcção geral de Emanuel Mendes, direcção clínica do Dr. Rui Correia e coordenação terapêutica de Duarte Nunes de Almeida, a CRETA é um centro de tratamento licenciado pelo Ministério da Saúde que se dedica ao tratamento de alcoólicos, toxicodependentes, dependentes de jogo, co-dependentes e outros indivíduos cujas modalidades comportamentais assumam um cariz de obsessão ou dependência em diversas áreas da sua vida.

Situada na Parede (Linha de Cascais), a CRETA iniciou as suas actividades em Setembro de 1991, propondo uma visão humana e integrada no tratamento da dependência química e proporcionando um atendimento adaptado a cada caso com o objectivo de obter a abstinência total de todo o tipo de substâncias alteradoras do humor incluindo o álcool. A criação de um ambiente no tratamento, enriquecido pela interacção do grupo, no qual o dependente pode descobrir um novo e saudável estilo de vida é um dos propósitos desta comunidade terapêutica.

Dependências fez uma visita à CRETA, onde conversou com a equipa terapêutica e alguns utentes, deixando aqui os seus testemunhos.

Tratamento

Após o acolhimento e entrevista de avaliação, será indicada a modalidade de tratamento mais adequada:

Tratamento Primário: É um tratamento em regime de internamento que tem uma duração máxima de 12 semanas, de acordo com as necessidades terapêuticas de cada paciente.

Tratamento Ambulatorial: É um tratamento adaptado a casos muito específicos que consiste num acompanhamento terapêutico de dia, intensivo, quando não se justifica um internamento residencial.

Programa de Recaída: Consiste num tratamento intensivo em regime de internamento e / ou ambulatorial.
Este programa tem a duração variável de 4 a 8 semanas. Trata-se de um programa específico de intervenção na crise, cujo foco é a identificação dos factores de recaída e manutenção da recuperação.

Pós Tratamento: Após a conclusão da 1ª fasea CRETA reconhece a necessidade de um Follow-up a fim de minimizar o risco de recaída.
Esta fase tão importante na consolidação da sobriedade tem a duração mínima de um ano, durante o qual se realizam grupos semanais com suporte terapêutico.

Assistência a Famílias: A CRETA acredita que muitas vezes ao estar exposta a um foco de dependência química, a família acaba por adoptar comportamentos doentios. Assim sendo, o tratamento também é direccionado para a família do dependente, pois esta é parte essencial no processo de recuperação.

Centro de consultas: Apoio Psicoterapêutico a todos os que desejam fortalecer o seu processo de recuperação.

Modelo

Baseado no Modelo Norte-Americano de Minnesotta, este programa tem atingido um nível de sucesso muito elevado na Europa, Estados Unidos e Brasil.
Este modelo baseia-se na premissa de que a dependência química é uma doença multifacetada e como tal integra uma equipa multidisciplinar.

Os conceitos básicos para a compreensão do Modelo Minnesota podem resumir-se à abstinência total de substâncias psicoactivas, à filosofia dos 12 Passos de Alcoólicos e Narcóticos Anónimos, à psicoterapia de grupo, auto-responsabilização do paciente e intervenção sistémica. São objectivos inerentes ao tratamento permitir que o utente alcance um estado livre de álcool/drogas e/ou outras dependências e manter esse padrão de vida, promover a reformulação pessoal necessária para uma vida saudável, motivar cada paciente para a mudança e dotar cada paciente de ferramentas de manutenção da sobriedade.

Entrevista

Dep – Existe verdadeiramente um modelo terapêutico standard nesta comunidade terapêutica ou o mesmo é ajustável em função do diagnóstico realizado ao utente que é admitido?

Duarte Nunes de Almeida – O modelo terapêutico que existe nesta casa é o Modelo Minnesota que, como o próprio nome indica, é originário do estado de Minnesota, na América e é conhecido por ter os 12 passos e estar muito familiarizado com os grupos de auto-ajuda, nomeadamente com os narcóticos anónimos e alcoólicos anónimos. Pese embora, tenhamos aqui uma abordagem da adição enquanto doença e entendamos que existem várias formas da mesma se manifestar. Uma delas pode ser através do consumo de substâncias, nomeadamente o álcool ou as drogas ilícitas – e aí estamos a falar dos grupos de auto-ajuda e de estabelecer a ponte com alcoólicos anónimos e narcóticos anónimos mas a doença da adição também pode ser manifestada de uma forma reiterada e compulsiva em termos de comportamentos, nomeadamente jogadores de casino, jogadores compulsivos e até desordens em termos de gastos de dinheiro. Falamos, por exemplo dos overspenders e de algumas patologias, como seja o sexo compulsivo. Tudo isto consideramos manifestações da mesma doença, que é a adição. Normalmente, na CRETA, recebemos mais alcoólicos e toxicodependentes, daí que façamos mais a ponte com narcóticos anónimos e alcoólicos anónimos. Os 12 passos correspondem, no fundo, a uma parte deste Modelo Minnesota, que nasceu em 1935 na América com os alcoólicos anónimos e, hoje em dia, existem dezenas de grupos de auto-ajuda que pediram permissão aos AA para funcionar com esta ferramenta, aperfeiçoando-a noutras áreas. Temos os casos dos emocionais anónimos ou até dos tabagistas anónimos para quem pretende deixar de fumar, entre outros. Outra característica do Modelo Minnesota consiste no trabalho desenvolvido por uma equipa multidisciplinar. Na CRETA, temos um director-clínico que é médico psiquiatra, o Dr. Rui Correia, temos a equipa dos terapeutas, composta por dois conselheiros em adição e dois psicólogos clínicos, temos três monitores, profissionais que, apesar de não serem terapeutas, estão formados para passar aqui o resto do dia que vai entre as 17h e as 9h e, obviamente, os técnicos estão sempre em contacto com a estrutura de tratamento para se for necessário, a qualquer hora do dia, vir cá alguém rapidamente ajudar no que for preciso.

Dep – Referiu vários tipos de adição como diferentes formas de manifestação de uma doença. Este modelo, entendido como padrão, é aplicável a qualquer tipo de adição?

Duarte Nunes de Almeida – Nós temos a preocupação, aquando da admissão de um paciente na CRETA, de tentar perceber se aquilo que procura pode ser “entregue” pelos serviços que prestamos. Tem que existir um matching entre a patologia, o que o paciente procura e o serviço que podemos oferecer. Se alguém vier para a CRETA e quiser, por exemplo, dispor de um cuidado de enfermagem 24h por dia, nós não podemos dar isso. O que podemos fazer, por vezes, é recorrer a algumas clínicas com as quais trabalhamos dentro do nosso âmbito de intervenção. Se uma pessoa tiver que ser desintoxicada, terá que o fazer previamente e, depois então, entrar na CRETA. 

Rui Correia – Este programa, para poder ser feito correctamente e ter resultados, implica que o doente não esteja muito deteriorado ou degradado. Toda a reestruturação emocional que o programa pressupõe, os passos que já foram falados e até a compreensão de determinados pressupostos para entrar em recuperação, são factores que implicam que o doente tenha uma compreensão razoável de tudo isto. E há, inclusivamente, tarefas que lhes são atribuídas, algumas explícitas, outras não…

Dep – … Há um contrato?

Rui Correia – Sim, há um contrato terapêutico e outro financeiro. Neste momento, estamos a falar na vertente técnica, do contrato terapêutico. Como aparecem também doentes que têm mais que uma patologia, muitos doentes esquizofrénicos ou com doença bipolar, por exemplo, se essas doenças não forem controladas, ou já estiverem numa fase de evolução em que o doente já esteja um pouco degradado, é mais difícil enquadrá-lo no programa.

Dep – Significará isso que esses doentes não têm indicação para comunidade terapêutica?

Rui Correia – É mais difícil… Os doentes que, no aspecto cognitivo, funcionam bem, têm muito mais facilidade em fazer o programa porque este exige empenhamento, envolvimento e compreensão. Dou-lhe um exemplo: nós notamos que alguns doentes alcoólicos com uma idade mais avançada e já mais degradados, uma vez que já consomem álcool em grande quantidade há bastantes anos, têm mais dificuldades em cumprir o programa terapêutico.

Dep – E serão, igualmente, os que menos recorrem a auxílio terapêutico.

Rui Correia – Também… Aliás, nós sabemos que, muitas vezes, a motivação que os doentes têm não é propriamente genuína. É um pouco fruto das circunstâncias: ou porque são confrontados com problemas judiciais, ou porque são pressionados pela família… Muitas vezes vêm porque são coagidos a fazê-lo. Há uma grande variabilidade…

Dep – Sabendo-se que o tradicional público-alvo das comunidades terapêuticas era quase exclusivamente constituído por heroinómanos e que, actualmente, outros perfis de consumo, com substâncias como o ecstasy, a cocaína, os canabinóides ou o álcool a emergirem exigindo a criação de novas respostas, em que medida constituirão as comunidades terapêuticas uma solução?

Rui Correia – Esses doentes vão também aparecendo porque, realmente, existem actualmente mais doentes com esses perfis de consumo diferentes dos tradicionais. Como já foi aqui referido, a doença é a mesma. Depois, as drogas utilizadas e as manifestações clínicas são variáveis em vários factores. Mas os mecanismos da doença, a etiopatogenia da doença é a mesma e os pressupostos terapêuticos são semelhantes. Claro que temos que adaptar um pouco a forma de intervir. Tendo em conta a idade do doente, não devemos ter uma intervenção exactamente igual num jovem de 18 anos que consome cocaína e num indivíduo com 60 anos que é um alcoólico crónico. Mas os pressupostos gerais são exactamente os mesmos.

Dep – …Exceptuando o facto de não existirem fármacos indicados para este tipo de patologias, como existem, por exemplo, em relação à heroína ou ao álcool…

Rui Correia – Sim, se pensarmos, por exemplo, nas desintoxicações, não existe no caso dos canabinóides, qualquer medicação específica para este tipo de doentes. Aquilo que fazemos é tentar corrigir os sintomas da abstinência. Se o doente tem muita ansiedade, temos que administrar medicamentos para a ansiedade, se tem compulsividade, temos que dar medicamentos que diminuam a compulsão, se está deprimido, temos medicamentos para a depressão. Mas, realmente, para algumas dessas substâncias, não existem medicamentos específicos. O que tentamos equilibrar ou corrigir são os sintomas.

Dep – Neste tipo de unidades de tratamento subordinadas a este modelo terapêutico é dado um especial ênfase aos conceitos de partilha e de auto-ajuda. Em que consistem concretamente?

Pedro Garrido – Qualquer processo psicoterapêutico passa principalmente pela comunicação, seja ao nível da consulta individual, seja ao nível da intervenção em grupo. A partilha em si é diferente, ou seja, o processo em grupo é diferente de uma conversa de café. Isto porque, primeiro, a nível de partilha, há um espaço para a pessoa que lhe é atribuído para falar sem ser interrompida. Então, um dos pressupostos que aqui se trabalham é a capacidade de ouvir, por um lado, e por outro, da capacidade da pessoa que fala comunicar abertamente, sendo que, ao falarem sobre as situações, as pessoas têm, por vezes, a capacidade de reconhecer os seus próprios processos internos, sobretudo a nível do pensamento. Ou seja, dá a capacidade ao paciente, com o seu discurso e verbalização, de reconhecer erros, tanto ao nível da interpretação da realidade, como ao nível dos erros cognitivos de pensamentos que eles próprios têm. Relativamente à auto-ajuda, primeiro, trata-se de uma forma de aproximação entre pessoas. Ou seja, com a identificação, mesmo que não existam situações idênticas, ao nível do estado emocional, a pessoa que partilha, ouvindo um outro, não se sente tão sozinha. Por outro lado, a experiência do outro pode ser enriquecedora para a pessoa. Partimos do pressuposto que existe um modelo standard, o qual é aplicado durante determinado período, ao qual se segue a avaliação das competências que são necessárias restabelecer ou até construir na pessoa para que possa viver sem drogas – as competências de um são as dificuldades de outros, ou seja, podem aprender mutuamente, o que, por outro lado, também constrói uma identidade própria à pessoa e lhe confere alguma auto-estima, em função deste papel interventivo com o outro.

Dep – É nesse sentido que surge a figura do “amigão”?

Pedro Garrido  – Sim, o amigão desempenha um papel fundamental, quer no processo daquele que o desempenha, quer no dos outros. Há, por exemplo, pessoas que chegam até nós sem aquelas competências básicas de vida como a higiene porque vêm de ambientes em que estes hábitos não são introduzidos nas suas rotinas. Por outro lado, são pessoas que chegam cá fragilizadas emocionalmente e que se têm que habituar às regras. E, quando a pessoa está a usar álcool ou drogas, habitualmente não tem limites, tem que ser auxiliado por uma pessoa. O “amigão” funciona como alguém que pode servir de modelo. Nós falamos aqui de uma técnica muito conhecida que é a modelagem. Eles vão modelar-se à pessoa que os auxilia e sentem-se parte de. É como se fosse o elo de ligação entre a pessoa e o grupo.

Dep – Em que medida é preservada a unicidade de cada utente desta casa, sabendo-se que existe um modelo standard que é aplicado a todos?

Duarte Nunes de Almeida – Empregou um termo de que gosto particularmente, a unicidade. Nós, aqui na CRETA, acreditamos que cada paciente é único. Nem aqui nem em lado nenhum existem dois pacientes iguais. Basicamente, o que acontece é que, quando é admitido um paciente na CRETA, é-lhe atribuído aquilo a que chamamos um conselheiro focal. Ou seja, neste modelo, os terapeutas têm a designação de conselheiros. A partir da data de entrada desse paciente na comunidade, o conselheiro focal estabelece uma relação terapêutica com o paciente, o que faz com que haja ainda um laço de confiança entre esse paciente e o terapeuta. Apesar de trabalharmos em equipa, neste modelo também é muito importante que se criem espaços para aquilo a que chamamos o one-to-one, ou seja, a sessão individual. Apesar de enfatizarmos muito a terapia de grupo, a sessão individual também assume uma particular importância, na medida em que eles sabem que aquilo que dizem ao terapeuta fica entre o paciente e o conjunto de terapeutas, uma vez que trabalhamos em equipa. Portanto, quando determinado paciente fala com um terapeuta, sabe que isso será transmitido à equipa, para seu próprio benefício, no sentido de ter vários terapeutas a olharem para o seu caso clínico. Mas sem dúvida que consideramos que cada paciente é único e deve ser preservado como tal, até porque todos têm características pessoais distintas. Neste modelo enfatiza-se muito a identificação mas igualmente o facto de cada um ser único e de ter o seu caminho a percorrer, dado estar num determinado momento da sua vida, ter o seu background a todos os níveis, cultural, profissional, social, e isso tem obviamente que ser respeitado. Intervenções “ao pacote” para toda a gente não funcionariam com toda a certeza e as próprias dinâmicas no grupo encarregar-se-iam de tornar isso visível.

Dep – Uma das críticas normalmente apontadas a este modelo prendem-se com um certo excesso de rigidez e disciplina exigidas aos utentes… Essas são premissas necessárias para o tratamento de um utente com indicação para comunidade terapêutica?

Duarte Nunes de Almeida – Na nossa perspectiva são necessárias q.b. Falamos de uma população que chega até nós desorganizada, sem métodos, sem rotinas e sem limites e uma das abordagens que temos é, sem dúvida, a abordagem comportamentalista. Se assim não fosse, seria caótico ao final do dia, se deixássemos 14 pacientes entregues aos seus próprios mecanismos numa casa. Isto não seria propriamente um centro de tratamento… Além disso, acreditamos que, quando aqui chegam, o que fazem acontecer aqui dentro é muito à semelhança do que experimentavam e viviam lá fora. Por outro lado, enquanto aqui estão, pode ver-se claramente como é que se vão comportar quando saírem daqui. A questão das regras é ponto assente – há um horário para acordar…

Dep – … Há um processo de reaprendizagem?

Duarte Nunes de Almeida – Sem dúvida! É exactamente isso!

Dep – O que terá mais peso no tratamento desta doença, o processo terapêutico ou a auto-ajuda?

Rui Correia – São vertentes que se complementam e não alternativas. Em diferentes fases do processo terapêutico, há intervenções que têm mais ou menos peso. E há histórias que nos mostram que existem pessoas que andaram pelas salas muito tempo e nunca recuperaram, outras que recuperaram só com as salas, se bem que na maioria dos casos, creio que um processo terapêutico que seja bem conduzido e depois complementado com a auto-ajuda tem mais possibilidades de ter sucesso pois corresponde a uma intervenção mais global.

Dep – Mas a auto-ajuda não é, afinal, parte integrante do processo terapêutico?

Rui Correia – Também é, sem dúvida. Estamos aqui a falar do processo terapêutico na sua vertente mais técnica, de grupos que sejam facilitados pelos terapeutas, o que é diferente daqueles lá de fora, de auto-ajuda. Penso que as duas coisas se complementam. Eu sou médico da Força Aérea e estive ligado desde o início à criação de um programa de prevenção de álcool e drogas nas Forças Armadas e, mesmo aí, está escrito no nosso programa do Ministério da Defesa que uma das melhores formas de fazer a prevenção das recaídas consiste em canalizar os doentes para os grupos de auto-ajuda.

Dep – Admitindo estas manifestações de dependências como uma doença, não é então crível que se possa tratar sem recurso a uma equipa médica…

Rui Correia – Na maior parte dos casos não. Mas em doenças e medicina há duas palavras que usamos muito raramente: sempre e nunca. Um doente que fume cinco maços de tabaco por dia não tem sempre cancro do pulmão, embora tenha uma alta probabilidade de o vir a ter. E uma pessoa que não fume, não podemos dizer que nunca virá a ter um cancro do pulmão, tanto que há crianças que, sem nunca terem contactado com fumo, o desenvolvem. A medicina não é matemática.

Dep – Treinam a prevenção da recaída?

Rui Correia – Sim, e isso é muito importante. Um dos grandes problemas da dependência química reside, precisamente, na alta taxa de recaídas. E é por isso também que, na nossa conceptualização, não falamos em cura, porque se dissermos que um alcoólico ou um toxicodependente está curado, estamos, primeiro, a admitir que já não tem qualquer doença. E se já não tem doença nenhuma, já pode fazer tudo, o que, por exemplo, na cabeça do alcoólico, que já pode beber um copo de vinho ou uma cerveja. E não pode, porque a doença está lá, pode é estar ou não controlada. Nós falamos em recuperação, porque, para nós, a doença está lá a vida toda. Pode é estar controlada em recuperação ou activa e o doente estar a consumir.

Dep – O que distingue um alcoólico de um bebedor excessivo?

Rui Correia – Normalmente, o bebedor excessivo é alguém que está a fazer um percurso que, se não for travado, vai tornar-se um alcoólico. Mas, verdadeiramente, o que faz a diferença é que um alcoólico tem dependência e manifesta síndrome de abstinência se não beber. A forma que tem e sabe para controlar os sintomas desagradáveis é beber, enquanto que o bebedor excessivo, como existe muita gente, corresponde àquele que, em determinadas circunstâncias ou dias da semana pode beber muito e até ficar num estado de intoxicação aguda grave mas que não bebe todos os dias porque não tem ainda a tal dependência. Aliás, o verdadeiro alcoólico, uma vez que enquanto dorme não pode beber, quando acorda de manhã, é forçado a beber para conseguir tomar banho, fazer a barba, vestir-se e sair de casa. Tem dependência. O bebedor excessivo não tem, normalmente, esta necessidade.

Dep – Enquanto técnico ao serviço de uma unidade de saúde cujo modelo de intervenção é baseado na abstinência – o Modelo Minnesota – teria algum tipo de constrangimento em administrar a um utente uma terapia de substituição opiácea?

Rui Correia – Noutro contexto, não teria. Agora, o Modelo Minnesota exclui a utilização desse tipo de substâncias. É evidente que todos sabemos que não há nenhum modelo que seja eficaz para todas as pessoas.

Dep – Mas sendo este um modelo que não admite a administração dessas substâncias com um fim terapêutico não estará a excluir a admissão de uma fasquia significativa da vossa população alvo?

Rui Correia – Está, mas nós assumimos isso. Eu, que sigo doentes lá fora, embora privilegie como primeira opção referenciá-los para o Modelo Minnesota porque acredito que é o melhor, sei que existem pessoas que, por dificuldades financeiras, por estarem muito degradadas ou por outras razões, já não encaixarão neste modelo. E nesse contexto, as terapêuticas de substituição são úteis, portanto, concordo com as mesmas plenamente. Mas a pergunta que me faz encaixa numa outra coisa: eu fui durante três anos presidente dos AA e uma questão que se levantava muitas vezes nas reuniões abertas era “porque é que vocês, nos AA, não têm uma clínica para tratamento dos doentes, porque é que não referenciam para tratamento para aqui ou para acolá?” Isso está fora do âmbito de intervenção dos AA. É evidente que fora do âmbito dos AA, considero que isso pode e deve ser feito. Portanto, em relação à pergunta que me faz, respondo que, no âmbito do Modelo Minnesota não. Mas há, evidentemente, pessoas que podem beneficiar com esse tipo de encaminhamento e de tratamento.

Dep – Em que medida corresponderá a designação Anónimo a uma forma de exclusão ou a uma expressão de medo?

Rui Correia – Há, sem dúvida, uma fatia de medo mas o anonimato serve para proteger o doente para que não seja apontado a dedo. É por isso que os alcoólicos anónimos têm a figura do presidente e do vice-presidente, que são pessoas não alcoólicas que podem dar a cara. Quando me era pedido, eu aparecia com a minha cara e a minha identidade, enquanto que os alcoólicos, muitas vezes até meramente para preservarem os seus empregos, protegem a sua identidade.

Duarte Nunes de Almeida – Há ainda outra questão, que tem que ver com este programa – neste momento estamos a falar dos AA – que tem os 12 passos como a coluna vertebral da recuperação do indivíduo mas que depois tem algo chamado as 12 tradições, que correspondem à coluna vertebral do funcionamento dos grupos de auto-ajuda. E também nestes se prevê que o anonimato serve, por um lado, para que não haja uma marginalização do indivíduo mas também porque este programa funciona por atracção e não por promoção. Ou seja, não há membros de AA na rua a promoverem este programa. A OMS já catalogou a adição como uma doença, embora já o tenha feito há mais tempo relativamente ao alcoolismo, apesar de o álcool, na nossa perspectiva, quando utilizado como uma droga também o seja. Há a questão, em termos do anonimato, de este programa funcionar por atracção. O que também dá alguma margem para que as pessoas não se sintam pressionadas para entrar em recuperação. Muitas vezes recebemos pessoas que nos dizem que consumiram com determinado indivíduo que, neste momento está bem e que gostariam de estar como ele. E não foi esse indivíduo que andou a promover-se ou a promover o programa. Portanto, há aqui uma vertente espiritual no programa desenvolvido na CRETA que assume igualmente extrema importância. Como sabemos, o essencial é invisível, ainda mais na sociedade em que vivemos em que tudo é consumista, em que não há dinheiro e se vende dinheiro. As pessoas começam a recorrer a alguns valores espirituais, o que digamos, constitui um porto seguro para este programa: as pessoas que chegam aqui, não se sentem julgadas nem coagidas a fazer o que quer que seja. Por isso, costumo dizer que a porta está trancada, não para que as pessoas não saiam daqui mas para que outros não entrem. É por uma questão de segurança e este é, sem dúvida, também um porto de abrigo espiritual e creio que o anonimato tem também um pouco que ver com isso.

Pedro Garrido – Relativamente à questão da degradação biopsicossocial de um dependente, se falamos num heroinómano ou num alcoólico, a situação é muito diferenciada ao nível do tempo. Hoje, começam a ser publicados estudos acerca das diferentes formas de um alcoólico estar, quando o padrão antigo do alcoólico apontava para alguém que passava muitos anos até ter consciência de que necessitava de tratamento. E depois mesmo o Serviço Nacional de Saúde os distinguia dos dependentes de substâncias. Só agora, com este novo despacho que veio agregar o álcool ao IDT, aí sim, estaremos possivelmente a falar da integração do álcool com as toxicodependências. Até então, era nos hospitais gerais tinham o serviço de alcoologia ou de gastro que os alcoólicos eram tratados, de forma diferente do dependente de substâncias. O heroinómano que consuma diariamente, passado um ano já tem consequências suficientes na sua vida, quer a nível físico, quer a nível psicológico ou social, para ter alguma percepção que necessita de algum tipo de intervenção. O alcoólico não. Passados 20, 30 ou 40 anos, se não fosse agressivo, provavelmente, até morreria sem alguma vez ter sido visto. Por outro lado, ao nível da reinserção, este programa tem uma fase padrão idêntica para todos mas chega a uma altura de tratamento em que se tem que fazer uma avaliação específica sobre as competências e os recursos que cada um tem, quer de vida, quer sociais ou profissionais para se definirem as áreas a trabalhar com cada paciente. Quando temos uma população heterogénea, tanto podemos ter aqui pessoas com baixa escolaridade, como outras até com licenciaturas ou mais altos graus. Mediante essas competências profissionais e académicas de cada um, definimos o nível de intervenção a realizar. Se for uma pessoa dotada de altas competências académicas e até algum currículo, logicamente, sai facilitado o processo de reintegração e, muitas vezes, o que se faz é uma reaprendizagem das competências de procura de trabalho. Podem fazer-se simulações de entrevista para minimizar a ansiedade gerada pela situação em si… Por outro lado, em pessoas com maiores dificuldades, podem realizar-se vários tipos de intervenção, tanto ao nível dos processos de articulação com os centros de emprego, quer através do encaminhamento para entidades de formação profissional, de preferência com equivalência ao nível do Ministério da Educação e com algum tipo de remuneração. Se necessário, há contactos com os serviços de psicologia e psiquiatria, aos serviços sociais e à Segurança Social, com o envio de relatórios e a solicitação dos devidos acompanhamentos. Basicamente, fazemos uma avaliação global da pessoa, verificamos os serviços existentes e enquadramo-la em vários níveis de intervenção. Nós temos aqui pacientes que vão trabalhar e regressam ao fim do dia, outros que estão à procura de emprego, outros à procura de cursos de formação, tudo feito sempre progressivamente.

Dep – O recurso a ex-utilizadores para a constituição da equipa terapêutica da comunidade é realmente uma mais-valia?

Rui Correia – Creio que é bom existirem na equipa terapêutica pessoas que já utilizaram drogas e outras que não utilizaram. Complementam-se muito bem. As que já utilizaram são muito úteis em questões como a auto-ajuda ou a partilha, que já estiveram do outro lado, conhecem o problema a fundo e ajudam-nos muito nesse aspecto. Creio que, além disso, os técnicos que numa determinada fase da sua vida tiveram um problema desse tipo, têm uma facilidade muito grande em desmontar certos tipos de pensamentos distorcidos e de comportamentos dos adictos. Como conhecem muito bem o problema por dentro e por fora têm uma maior facilidade em desmontar esse tipo de funcionamentos patológicos, o que ajuda muito ao funcionamento da equipa. E é bom também haver pessoas que não têm esse passado, pois por vezes existe também a tendência para encarar o fenómeno de uma forma um pouco redutora. Sinto que o ideal é haver pessoas com um background diferente e sinto-me confortável com isso.

Pedro Garrido – O facto de haver aqui profissionais que tenham algum percurso relacionado com o uso de drogas ou álcool, pode gerar um acréscimo de empatia por parte dos pacientes. Objectivamente, já ao nível das questões das partilhas e da auto-ajuda, nenhum técnico, tenha tido ou não problemas com drogas ou álcool, entra no registo de paciente. Ou seja, mantém-se sempre numa posição de profissional, de facilitador, de terapeuta, e não há a utilização disso, pois essa questão da partilha e da auto-ajuda é somente entre pacientes.

Áreas de Intervenção

Clínica de Tratamento -Toxicodependência | Alcoolismo | Adicção - CRETA - Dependência Química - Drogas

Dependência Química – Drogas

(Substâncias licitas e/ou ilícitas) é caracterizada pelos seguintes sintomas:

  • Aumento da tolerância à substância
  • Procura da sensação do alivio proporcionada pela substancia (prazer imediato)
  • A dependência aumenta progressivamente
  • Remorso e sentimento de culpa persistente
  • Síndrome da Abstinência, vulgo Ressaca
  • Geográficas, Relações Significativas

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Clínica de Tratamento -Toxicodependência | Alcoolismo | Adicção - CRETA - Álcool - Alcoolismo

Álcool – Alcoolismo

O Álcool, a nicotina e a cafeína são as substâncias mais consumidas em Portugal,sendo o Álcool a mais destrutiva. O Álcool é uma droga. Para algumas pessoas vulneráveis, o Álcool pode ser a droga que mais risco e consequências acarreta a médio e longo prazo – na saúde, na família, no trabalho, na sociedade. Na nossa opinião, o abuso e o alcoolismo são um problema grave, entre os jovens e adultos.

Quadro I – História do alcoolismo:

  • Idade em que foi consumida a 1ª bebida 12 – 14 anos
  • Idade da primeira intoxicação 14 – 18 anos

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Clínica de Tratamento -Toxicodependência | Alcoolismo | Adicção - CRETA - Problemas Alimentares, Anorexia, Bulimia e Compulsão Alimentar

Problemas Alimentares

Anorexia, Bulimia e Compulsão Alimentar

Alguns estudos revelam que as perturbações do comportamento alimentar apresentam uma tendência gradual para aumentar o surgimento de novos casos.

Muitos portugueses apresentam perturbações relacionadas com o comportamento alimentar.

A sociedade industrializada sujeita o indivíduo (crianças, adolescentes, adultos e seniores) a um conjunto elaborado, diversificado de estímulos e paradigmas…

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Clínica de Tratamento -Toxicodependência | Alcoolismo | Adicção - CRETA - Co-Dependência

Co-Dependência

Relacionamento de dependência

A Co-dependência é um tipo de patologia emocional/afectos e de relacionamentos.
Em Portugal este conceito existe desde o final dos anos oitenta…
De inicio, a descrição deste quadro incluía apenas famílias de pacientes alcoólicos, mas com o tempo, abrange membros de família (ex. mãe, pai, irmã ou irmão, avó ou avô, etc.) onde um dos seus apresenta dependência a substâncias psico-activas (adictivas) lícitas, incluindo o álcool e/ou ilícitas, problemas com o Jogo e em alguns casos, dependentes do sexo e do trabalho (workaholics).

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Clínica de Tratamento -Toxicodependência | Alcoolismo | Adicção - CRETA - Adicção ao Jogo

Adição ao Jogo

Embora a actividade do Jogo seja associada ao lazer e convívio existem alguns indivíduos, pela sua predisposição neurobiologica.psico.social e ambiente apresentam um tipo de vulnerabilidade ex. alterações drásticas do humor, compulsão e perda do controlo. Aparentam racionalizar e equacionar a actividade do jogo com a sua própria felicidade e dos seus familiares.

Ao contrário da dependência das substâncias licitas e ou ilícitas o individuo dependente do jogador não apresenta sintomas de degradação físicos ou morais que torna difícil o diagnostico da Adicção ao Jogo na fase inicial.

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Clínica de Tratamento -Toxicodependência | Alcoolismo | Adicção - CRETA - Luto

Luto

O Luto é uma reacção cognitiva, emocional e legitima do ser humano quando existe uma Perda – não-existência (pessoas, lugares e coisas). Reconhecemos a impotência (autoconhecimento) quando perdemos alguém ou algo importante. Ao longo da vida, através do apoio das pessoas significativas e da nossa própria experiencia, dependendo da intensidade do choque sobre a perda, aprendemos que nada é garantido e que a vida tem um fim. Estamos expostos à adversidade e vulneráveis.

A cultura de cada povo define as tradições e os rituais relacionados com a Perda e o Luto.
Segundo a tradição católica o Luto caracteriza-se por períodos de dor e choro, roupas escuras, expressar…

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Clínica de Tratamento -Toxicodependência | Alcoolismo | Adicção - CRETA - Depressão

Depressão

Depressão é uma doença psiquiátrica que se caracteriza por sintomas relacionados com o humor, deixando-a com um predomínio anormal de tristeza.

Todas as pessoas, homens e mulheres, de qualquer faixa etária, podem ser atingidas, porém as mulheres são duas vezes mais afectadas que os homens.

Em crianças e idosos a doença tem características particulares, sendo a sua ocorrência em ambos os grupos também frequente.

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Todas as Áreas de Intervenção

Comportamentos Adictivos

Através da nossa experiência consideramos importante informar que alguns indivíduos adictos a substâncias (drogas licitas, incluindo o álcool, nicotina, e/ou ilícitas) também apresentam diagnósticos duplos (co-morbilidade) por ex. dependência de substâncias e jogo, relação de dependência e dependência de substâncias prescritas pelo médico (drogas lícitas).

Tal como as substancias, os comportamentos adictivos são factores bio.psico.sociais e ambiente, adoptados e desenvolvidos ao longo da Vida (progressivamente) de forma a suportar a pressão/tensão do dia-a-dia.
Podem passar despercebidos ao indivíduo, incluindo a família e colegas no trabalho, e reforçam a gratificação imediata, a impulsividade, auto-critica reduzida (ex. justificação e racionalização) e a Ilusão.

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Dependência Química – Drogas

Dependência química de drogas (Substâncias licitas e/ou ilícitas) é caracterizada pelos seguintes sintomas:

Aumento da tolerância à substância.
Procura da sensação do alivio proporcionada pela substância (prazer imediato).
A dependência aumenta progressivamente.
Remorso e sentimento de culpa persistente.
Síndrome da Abstinência, vulgo Ressaca.
Geográficas, Relações Significativas.

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Álcool

O Álcool, a nicotina e a cafeína são as substâncias mais consumidas em Portugal,sendo o Álcool a mais destrutiva. O Álcool é uma droga. Para algumas pessoas vulneráveis, o Álcool pode ser a droga que mais risco e consequências acarreta a médio e longo prazo – na saúde, na família, no trabalho, na sociedade. Na nossa opinião, o abuso e o alcoolismo são um problema grave, entre os jovens e adultos.

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Co-Dependência

(Relacionamento de dependência, personalidade dependente)
A Co-dependência é um tipo de patologia emocional/afectos e de relacionamentos.
Em Portugal este conceito existe desde o final dos anos oitenta entre os grupos de ajuda mutua e os centros de tratamento que adoptaram os 12 Passos.
De inicio, a descrição deste quadro incluía apenas famílias de pacientes alcoólicos, mas com o tempo, abrange membros de família (ex. mãe, pai, irmã ou irmão, avó ou avô, etc.)

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Problemas Alimentares

Anorexia, Bulimia e Compulsão Alimentar.
Alguns estudos revelam que as perturbações do comportamento alimentar apresentam uma tendência gradual para aumentar o surgimento de novos casos.
Muitos portugueses apresentam perturbações relacionadas com o comportamento alimentar.
A sociedade industrializada sujeita o indivíduo (crianças, adolescentes, adultos e seniores) a um conjunto elaborado, diversificado de estímulos e paradigmas
(publicidade e marketing, consumismo, indústria das dietas e alimentar, ginásios “Health Clubs”, televisão, cinema, moda) cujos critérios prejudicam a qualidade de vida.

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Adição ao Jogo

Embora a actividade do Jogo seja associada ao lazer e convívio existem alguns indivíduos, pela sua predisposição neurobiologica.psico.social e ambiente apresentam um tipo de vulnerabilidade ex. alterações drásticas do humor, compulsão e perda do controlo. Aparentam racionalizar e equacionar a actividade do jogo com a sua própria felicidade e dos seus familiares.
Ao contrário da dependência das substâncias licitas e ou ilícitas o individuo dependente do jogador não apresenta sintomas de degradação físicos ou morais que torna difícil o diagnostico da Adicção ao Jogo na fase inicial.
Através do recurso a imagens obtidas por ressonância magnética, estudos recentes, sugerem que os mecanismos cerebrais associados ao jogo (Adicção) interferem e afectam o funcionamento normal do cérebro.

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Luto

O Luto é uma reacção cognitiva, emocional e legitima do ser humano quando existe uma Perda – não-existência (pessoas, lugares e coisas). Reconhecemos a impotência (autoconhecimento) quando perdemos alguém ou algo importante. Ao longo da vida, através do apoio das pessoas significativas e da nossa própria experiencia, dependendo da intensidade do choque sobre a perda, aprendemos que nada é garantido e que a vida tem um fim. Estamos expostos à adversidade e vulneráveis.

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Depressão

Depressão é uma doença psiquiátrica que se caracteriza por sintomas relacionados com o humor, deixando-a com um predomínio anormal de tristeza. Todas as pessoas, homens e mulheres, de qualquer faixa etária, podem ser atingidas, porém as mulheres são duas vezes mais afectadas que os homens. Em crianças e idosos a doença tem características particulares, sendo a sua ocorrência em ambos os grupos também frequente.

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